quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Projétil altamente destrutivo foi lançado em uma conferência de armas em Las Vegas

Esse projétil altamente destrutível, foi lançado em uma conferência de armas e tiros, em Las Vegas/EUA.
Foi criado com a intenção de atingir  todos os órgãos vitais, e fazer com que as vísceras sejam estraçalhadas (palavras do próprio fabricante).
Ironicamente, foi batizado de R.I.P. que é um trocadilho com a sigla “Rest in peace” (Descanse em Paz)… Mas o que essa sigla realmente significa é “Radically Invasive Projectile” (Projétil Radicalmente Invasivo). 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Forças armadas da Terra estariam preparadas para um ataque extraterrestre?

Há ETs na Terra trabalhando com os EUA, diz ex-ministro canadense
O canadense Paul Hellyer se define como o primeiro político influente dos países desenvolvidos a atestar a existência de óvnis
Foto: YouTube / Reprodução

Paul Hellyer afirmou reconhecer ao menos quatro espécies de seres extraterrestres que habitariam o planeta
O canadense Paul Hellyer se define como o primeiro político influente dos países desenvolvidos a atestar a existência de óvnis Foto: YouTube / Reprodução
O canadense Paul Hellyer se define como o primeiro político influente dos países desenvolvidos a atestar a existência de óvnis
Foto: YouTube / Reprodução

“Há ETs vivos na Terra neste momento, e pelo menos dois deles provavelmente trabalham com o governo dos Estados Unidos.” A declaração do ex-ministro da Defesa do Canadá Paul Hellyer, 89 anos, foi feita durante uma audiência pública sobre a existência de vida extraterrestre realizada em Washington, D.C. Diversos ex-senadores e membros da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos ouviram depoimentos de especialistas e testemunhas entre os dias 29 de abril e 3 de maio.

Militares britânicos estão preparados para uma invasão de ET's, disse um ex-assessor do Ministério da Defesa do Reino Unido,em Outubro do ano passado.
Em caso de uma invasão de ET's, Reino Unido estará preparado

De acordo com ex-assessor do Ministério da Defesa do Reino Unido, país tem armas para se defender de um possível ataque extraterrestre
Tower Bridge, em Londres
Londres: Segundo Pope, as Forças Armadas estudam e constroem secretamente armamentos sofisticados para defender os ingleses de ET's (Richard Heathcote/Getty Images)
Fabiano Cândido, de info
Um ex-assessor do Ministério da Defesa da Inglaterra afirmou que o país está preparado para enfrentar naves extraterrestres – caso elas resolvam atacar, claro.
A informação é de Nick Pope, um homem que trabalhou por 21 anos como assessor especial no governo (entre os anos de 1985 e 2006) e escreveu um livro sobre as aparições de ETs e naves espaciais. Segundo Pope, as Forças Armadas estudam e constroem secretamente armamentos sofisticados para, ao menos, defender os ingleses dos vilões do espaço.
Entre as armas, diz Pope, há um esquadrão de aviões-robôs e protótipos de aeronaves – que são capazes de fazer manobras ultrarrápidas para caçar as naves alienígenas. Uma dessas máquinas é o Taranis, um avião-robô feito pela BAE Systems.
Além dos aviões, a Inglaterra teria armas novas e bem diferentes das usadas em guerras atualmente, além de um plano para atrair aliados para o confronto contra os ETs.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A tecnologia pode destruir a raça humana ?


Instituto do Futuro da Humanidade - este é o nome escolhido por uma equipe internacional de cientistas, matemáticos e filósofos que decidiu investigar quais são os maiores perigos contra a humanidade.
E, segundo seu primeiro relatório, chamado Riscos Existenciais como Prioridade Global, os autores de políticas públicas deveriam atentar para os riscos que podem contribuir para o fim da espécie humana.
Seguindo uma onde crescente dos cada vez mais comuns apocalipses científicos, os pesquisadores se espantam que, no ano passado, tenham sido publicados mais textos acadêmicos a respeito de snowboarding do que sobre a extinção humana.
O diretor da organização, o sueco Nick Bostrom, eventualmente preocupado em buscar recursos para manter seu nascente instituto, montado na Universidade de Oxford, afirma que existe uma possibilidade plausível de que este venha a ser o último século da humanidade.
Ele precisa de argumentos, já que compete com o também fatalista Centro para o Estudo do Risco Existencial, da Universidade de Cambridge, atualmente mais preocupado com uma "singularidade tecnológica" e uma revolução dos robôs.

Apocalipses descartados
Mas primeiro as boas notícias. Pandemias e desastres naturais podem causar uma perda de vida colossal e catastrófica, mas Bostrom acredita que a humanidade estaria propensa a sobreviver.
Isso porque nossa espécie já sobreviveu a milhares de anos de doenças, fome, enchentes, predadores, perseguições, terremotos e mudanças ambientais. Por isso, as chances ainda estão a nosso favor.
E ao longo do espaço de um século, ele afirma que o risco de extinção em decorrência do impacto de asteroides e super erupções vulcânicas permanece sendo "extremamente pequeno".


Até mesmo as perdas sem precedentes do século 20, com duas guerras mundiais e a epidemia de gripe espanhola, não foram capazes de impedir o crescimento da população humana global.
Uma guerra nuclear poderia causar destruição sem precedentes, mas um número suficiente de indivíduos poderia sobreviver e, assim, permitir, que a espécie continue.
Apocalipses da vez
Mas se existem todos esses atenuantes, com o que deveríamos estar preocupados?
Bostrom acredita que entramos em uma nova era tecnológica capaz de ameaçar nosso futuro de uma forma nunca vista antes.
Estas são "ameaças que não temos qualquer registro de haver sobrevivido", diz ele - uma constatação um tanto óbvia, já que a atual onda tecnológica é inédita na história.

O diretor do instituto compara as ameaças existentes a uma arma perigosa nas mãos de uma criança. Ele diz que o avanço tecnológico superou nossa capacidade de controlar as possíveis consequências.
Experimentos em áreas como biologia sintética, nanotecnologia e inteligência artificial estão avançando para dentro do território do não intencional e do imprevisível.
A biologia sintética, onde a biologia se encontra com a engenharia, promete grandes benefícios médicos, mas Bostrom teme efeitos não previstos na manipulação da biologia humana.
Muitos concordam com ele, já que, recentemente, nada menos do que 111 entidades pediram uma moratória nas pesquisas com a Biologia Sintética.
Como evitar um desastre na Biologia Sintética
A nanotecnologia, se realizada a nível atômico ou molecular, poderia também ser altamente destrutiva ao ser usada para fins bélicos. Segundo o pesquisador, os governos futuros terão um grande desafio para controlar e restringir usos inapropriados.


Nanofibras e nanotubos afetam homem e meio ambiente
Há também temores em relação à forma como a inteligência artificial ou inteligência de máquina, possa interagir com o mundo externo.
Esse tipo de inteligência orientada por computadores pode ser uma poderosa ferramenta na indústria, na medicina, na agricultura ou para gerenciar a economia, mas enfrenta também o risco de ser completamente indiferente a qualquer dano incidental.
Sean O'Heigeartaigh, um geneticista do instituto, traça uma analogia com o uso de algoritmos usados no mercado de ações.
Da mesma forma que essas manipulações matemáticas, podem ter efeitos diretos e destrutivos sobre economias reais e pessoas de verdade, argumenta ele, tais sistemas computacionais podem "manipular o mundo verdadeiro".
Máquinas morais: programas poderão decidir questões de vida e morte?
Em termos de riscos biológicos, ele se preocupa com boas intenções mal aplicadas, como experimentos visando promover modificações genéticas e desmantelar e reconstruir estruturas genéticas.
Um tema recorrente entre o eclético grupo de pesquisadores é sobre a habilidade de criar computadores cada vez mais poderosos.

O pesquisador Daniel Dewey fala de uma "explosão de inteligência", em que o poder de aceleração de computadores se torna menos previsível e menos controlável.
"A inteligência artificial é uma das tecnologias que deposita mais e mais poder em pacotes cada vez menores", afirma.
Nick Bostrom finaliza afirmando que o risco existencial enfrentado pela humanidade "não está no radar de todo mundo". Mas ele argumenta que os riscos virão, caso estejamos ou não preparados.
"Existe um gargalo na história da humanidade. A condição humana irá mudar. Pode ser que terminemos em uma catástrofe ou que sejamos transformados ao assumir mais controle sobre a nossa biologia. Não é ficção científica, doutrina religiosa ou conversa de bar," vaticina ele.
Para acalmar o tão preocupado cientista, talvez seja recomendável não esquecer que uma única tempestade solar forte o bastante, com a que aconteceu em 1859, poderia desligar todo o nosso "amedrontador" parque tecnológico. E então nossas preocupações seriam bem outras - como não voltar à barbárie, por exemplo.

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=tecnologia-destruir-raca-humana&id=010125130425

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Moto-canhão


Imagine transformar motocicletas em canhões sobre duas rodas. Esse conceito também passou pelas mãos dos projetistas e a ideia era criar um veículo de combate para dar suporte para paraquedistas durante saltos.
7 armas militares inacreditáveis que foram projetadas (Fonte da imagem: Reprodução/Cracked)
Por que a ideia não deu certo? Simples. No protótipo, o piloto ficava sentado sobre o canhão. Então, ao disparar uma bala, além de sentir o impacto nas partes íntimas, o pobre soldado era obrigado a suportar o calor emanado pela arma. Tudo isso enquanto se equilibra em duas rodas e em alta velocidade. Pois é, não tinha como dar certo.


fonte: tecmundo.com.br

quinta-feira, 28 de março de 2013

Estratégias de Guerra: Cães Bomba


As atrocidades ocorridas durante o final da década de 30 e começo da década de 40 mancharam para sempre a história do século XX e mostraram que a crueldade humana pode não conhecer limites.

 Os russos treinavam cães para entrar sob tanques. Eles  deixavam os animais  com fome por longos períodos e colocavam comida apenas embaixo de veículos.



Na hora da ação, 12 kg de explosivos eram acoplados aos cães junto a uma alavanca detonadora. Como os animais precisavam rastejar para conferir o que tinha debaixo dos tanques, a alavanca acionava as bombas assim que eles se abaixavam.

A tática obteve sucesso durante certo tempo e relatórios de guerra apontam que mais de 300 tanques alemães foram desabilitados através da técnica. No entanto, quando os nazistas descobriram do que se tratava, passaram a atirar nos cães também.

Arma de fogo camuflada como celular

A capacidade dessa arma é um limite de quatro balas calibre .22 alojados na antena. Os disparos são acionados pelo teclado do aparelho. O telefone se transforma em arma ao deslizar a parte do teclado; a antena é cano de saída dos projéteis e um toque em uma tecla específica aciona o disparo.

O celular-pistola,  não possui o tambor, tem a mesma aparência de um telefone celular comum, mas é mais pesado e, obviamente, é incapaz de fazer ligações telefônicas

sábado, 23 de março de 2013

Pistola Parabellum (Luger) um mito histórico: Parte III


O PERÍODO PÓS GUERRA

Com o término da guerra e a derrota da Alemanha, o Tratado de Versalhes lançou contra os países derrotados uma série de restrições quanto ao fabrico de material bélico. Dentre eles, havia a limitação dos calibres em armas curtas que seriam fixados em no máximo 8 mm e com o comprimento do cano limitado à, no máximo, em 3″ 5/8. Para a D.W.M. isso não gerou problemas maiores, pois simplesmente os canos seriam encurtados de 4″ para 3″ 5/8 e o calibre a usar seria o já existente 7,65mm Parabellum. O modelo chamado de 1923 era justamente esse, que passaria a ser distribuído às tropas, as quais também estavam restritas a um contingente de no máximo 100.000 homens.
É interessante citar que apesar de todos esses percalços, os anos pós I Guerra (1918 a 1930) foram os mais produtivos e rentáveis para a D.W.M., através de numerosos contratos que continuaram a ser fechados. Contratos estrangeiros como os da Suíça e o da Holanda continuaram mantendo a produção ocupada. A partir de 1920, um relaxamento natural das restrições do tratado já eram observadas. A D.W.M. já não mais existia com esse nome, mas sim como Berlin-Karlsruhe Industrie Werke (B.K.I.W.)
Os contratos existentes, principalmente com a Holanda consumiam quase toda a produção da B.K.I.W. de forma que outros fabricantes da pistola foram licenciados por ela e passaram a produzir a pistola, tal como a Simson & Co., da cidade de Suhl, a partir de 1922. Essa empresa foi, a partir deste ano a única fornecedora das pistolas ao Governo Alemão e seu contrato terminou em 1932, sendo que a partir daí mais nenhuma pistola P-08 saiu de sua linha de produção. As pistolas fabricadas pela Simson eram de qualidade e acabamento idênticos aos da D.W.M. e hoje em dia, cobiçadas pelos colecionadores, atingem patamares de preço em todno dos US$ 6.000, nos Estados Unidos, apesar de que mais de 15.000 pistolas foram produzidas.
Em 1930, a  B.K.I.W. foi incorporada pelo mesmo grupo que detinha a maioria das ações da Mauser Werke, de Oberndorf. Todo o maquinário foi transferido de Berlin para a Oberndorf, e a Mauser, doravante, passou a ser a maior fornecedora das pistolas Parabellum, apesar de que continuou utilizando a marca registrada da D.W.M. até 1934.
Foi também nesta época que o importador americano Hans Tauscher vendeu seu negócio para A. F. Stoeger, que se transformou doravante no único e oficial importador das Lugers em território americano. Stoeger teve também a brilhante idéia de registrar o nome “Luger” como de sua propriedade. As pistolas fabricadas para ele já vinham originalmente com a inscrição “A. F. STOEGER INC. NEW YORK” na face direita da armação e “LUGER – REGISTERED U.S. PATENT OFFICE” do lado oposto. Stoeger importava pistolas em tres configurações básicas: modelo com 8″ de cano em cal. 9mm, modelo militar de 4″, também em 9mm, e um modelo baseado na 1906 em calibre 7,65mm, cano de 4″ 3/4 mas sem trava de empunhadura. A trava de segurança tinha a inscrição “SAFE” e o extrator trazia a inscrição “LOADED”.
Detalhe de uma Parabellum importada por A.F. Stoeger, com o brasão “American Eagle” gravado sobre a câmara.
Outra variante que chama muito a atenção são as chamadas Lugers “inglesas”, fabricadas pela casa Vickers, de Londres. Aliás, cumpre afirmar aqui que fora da Alemanha, somente dois países fabricaram essa pistola: a Inglaterra (Vickers) e a Suíça (Waffenfabrik Bern). A Holanda foi um dos países da Europa que mais encomendas fizeram à D.W.M. Por uma razão não muito bem esclarecida, e pouco antes da eclosão da I Guerra, a Holanda encomendou cerca de 10.000 pistolas aos ingleses e o porque assim o fizeram é um mistério, clientes assíduos que sempre foram da D.W.M. Sabe-se que a produção da Vickers durou de 1915 a 1917, sendo que neste período o governo holandes chegou a executar cerca de 20 pedidos consecutivos, em pequenas quantidades.
Luger Vickers do contrato holandes no período de 1915 a 1917 – cano de 4″, calibre 9mm e trava de empunhadura, sem encaixe de coronha. Note a inscrição em holandês “RUST” (segurança) na trava de segurança. 

AS LUGERS SUÍÇAS

Depois de terem importado 13.315 pistolas da D.W.M. desde o primeiro modelo 1900, em 1924 a Suíça resolve produzir, ela mesma, a pistola Parabellum. A D.W.M. nesta época não estava em condições de suprir a demanda suíça dentro da qualidade que ela estava exigindo e assim, forneceram à Waffenfabrik Bern os direitos de fabricação da arma. Essa empresa era um arsenal governamental, portanto sua produção seria dirigida totalmente ao mercado policial e às forças armadas. De 1924 a 1933 a Waffenfabrik Bern produziu 17.874 pistolas. Elas eram idênticas ao modelo 1906 em calibre 7,65mm, com cano de 4″ 3/4 e trava de segurança na empunhadura. Não possuíam o acabamento lustroso e razoavelmente brilhante das produzidas anteriormente pela D.W.M. e possuem algumas pequenas marcas de usinagem não eliminadas no acabamento. Porém, de um modo geral a qualidade dessas pistolas era idêntica às produzidas na Alemanha.
A pistola Parabellum (Luger)  fabricada em 1924 (modelo 1906) pela Waffenfabrik Bern, na Suíça, em calibre 7,65mm Parabellum – foto do autor
Lado direito da pistola Parabellum Swiss 1924 (baseada no modelo 1906) – foto do autor
As talas da empunhadura, em madeira, eram zigrinadas à maneira das alemãs mas possuíam uma borda lisa na parte dianteira e posterior. O extrator era marcado com a palavra “GELADEN” (carregada) e ao invés do logotipo entrelaçado da D.W.M. Na parte central do ferrolho havia a inscrição Waffenfabrik Bern em duas linhas, e sobre ela a gravação do emblema da Cruz Suíça mas sem o tradicional desenho do sol brilhante, abaixo dela.
A partir do final de 1928 a Waffenfabrik Bern começa a produzir aquela que é uma das mais estranhas variações da Luger: o denominado modelo 1929. Embora baseada no conceito mecânico das 1906, ela não é necessariamente uma cópia fiel da Parabellum, e sim, uma alternativa mais simplificada e  mais barata de ser produzida.
O modelo suíço de 1929, em calibre 7,65mm Parabellum
O modelo 1929 foi fabricado até 1948 e exatamente 29.857 armas desse modelo foram produzidas. Suas diferenças em relação ao projeto original são notadas assim que são examinadas de bate-pronto. A empunhadura não possui a curvatura final existente na parte anterior, mas sim, traça uma linha reta desde o seu início na parte inferior do guarda-mato. As talas da empunhadura são de plástico negro, zigrinadas totalmente. Todos os demais acabamentos recartilhados existentes na Luger original foram eliminados, utilizando-se superfície lisa, como nas rodilhas do ferrolho, botão de retirar o carregador, tecla da trava de segurança e alavanca de desmontar. A trava de empunhadura é quase o dobro mais longa que nas 1906, a placa quadrada de cobertura do mecanismo do gatilho foi redesenhada e a própria tecla do gatilho foi simplificada. A alavanca da trava de segurança possui a letra “S” (Sicher) gravada em branco, indicando a posição de arma travada.
Detalhe da parte superior da pistola modelo 1919 – Como o exemplar da foto, a letra P gravada sobre o número de série indica que a arma foi “desmilitarizada”, ou seja, repassada para a população civil.
Pistola Parabellum P-08 de fabricação Simson & Co. de Suhl, com coldre e ferramenta de carregamento / chave de fenda

O PERÍODO PRÉ II GUERRA

Em 1933 o Partido Nazista assume o governo na Alemanha, com Adolf Hitler tomando posse como chanceler; a partir daí, as restrições impostas pelo Tratado de Versalhes passaram a ser descaradamente desobedecidas; o novo governo iniciou um investimento de grande monta em material bélico, o que era claramente proibido à Alemanha. Era o início da mais poderosa “máquina de guerra” que a Europa e o mundo jamais tinham visto antes.
Desde 1937 a tradicional fabricante de armas Carl Walther, cujas pequenas pistolas modelos PP e PPK já eram muito utilizadas e apreciadas como armas de defesa pessoal por oficiais das forças armadas, cortejava o Governo Alemão com o intuito de fornecer uma nova arma, que entraria para as fileiras do Exército em substituição às Parabellum P. 08. Neste mesmo ano, a Walther submete à testes de campo seu modelo HP, que foi muito bem aceito e elogiado pela comissão, pois tratava-se de uma pistola com características avançadas e sem alguns dos problemas críticos que as Luger costumavam apresentar, como falhas de operação devido à excesso de sujeira, óleo e poeira, que facilmente penetravam no mecanismo, muito justo e parcialmente exposto. Uma certa intolerância em relação à munição também era um caso sério na Luger, pois em tempos de guerra a qualidade e a inspeção final são muito desprezadas, o que resultava cartuchos mal feitos que não funcionavam bem na pistola.
A pistola Walther P38 em calibre 9mm Parabellum
A comissão alemã, que pouco antes do início da II Guerra  já estudava a substituição das pistolas Luger decide então, em 1938, adotar a pistola da Walther, que passou a receber a denominação de P. 38, ou seja, Pistole 38. Porém, com a invasão da Polônia pela Alemanha logo depois, em 1939,  a pistola Luger entra na guerra ainda como a arma individual mais presente nas mãos da  Wermacht, da Kriegsmarine e da Luftwaffe (exército, marinha e aeronáutica, respectivamente) bem como muito utilizada pelas tropas independentes, tais como as S.S.
Para saber mais sobre a pistola Walther P.38 e sua gradual substituição em tempos de guerra, leia aqui o nosso artigo Armas Curtas na II Guerra Mundial e também a sua história em As Pistolas Walther.

A II GUERRA MUNDIAL

A substituição das Lugers pelas P.38 em tempo de guerra foi feita paulatinamente, sendo que a nova pistola P.38 necessitava ser fabricada por outros fornecedores, pois só a Carl Walther não possuía condições para suprir toda a demanda. Dessa forma, a Alemanha contou durante muitos anos com a utilização das duas armas, simultaneamente.
Já desde antes do início da guerra, a Alemanha adotou diversos códigos destinados a identificar os fabricantes de seus materiais bélicos, também com o intuito de confundir os aliados quanto à descoberta deles e de suas localizações. A partir de 1934, a  Mauser passa a usar o código S/42 e pela primeira vez o famoso “banner” da Mauser passa a ser usado no lugar do monograma da D.W.M. As armas com o banner Mauser eram, supostamente, para fins comerciais. Códigos também foram criados para identificar a data de fabricação, como as letras K para 1934 e G para 1935.
Pistola P.08 de fabricação Mauser, código “42″ e o “banner” do fabricante gravado sobre o ferrolho.
Em 1935, conforme rumores que circularam nos meios industriais, por influência e interesse financeiro do Marechal Hermann Goering, o homem mais forte do Governo depois de Hitler, o fabricante Heinrich Krieghoff Waffenfabrik (Suhl) passou a ser um fornecedor alternativo das P.08 para o governo, apesar de que a capacidade de produção era muito abaixo do que possuía a Mauser.  Até 1939, a Krieghoff não produziu nenhuma pistola completa: ela simplesmente as montava. Segundo documentos obtidos pós guerra, até o número serial 9.000 as pistolas eram montadas e os 4.000 restantes foram, realmente, produzidas pela fábrica.
Detalhe da parte superior de uma P.08 Mauser, onde se vê os códigos “42″ e “byf” gravados na arma.
Em 1941 a Mauser recebeu um novo código “byf” e muitas das pistolas dessa época foram datadas sobre a câmara com os anos de 1941 e 1942. Com a demanda do Governo crecendo em direção à substituição das Lugers pelas Walther P38, a Mauser iniciou a produção desta pistola em julho de 1941, sendo que 340.000 delas saíram de sua fábrica. A produção das P.08, portanto, começava a declinar vertiginosamente.
Documentos comprovam que a Mauser cessou a produção da P-08 em junho de 1942 e que apesar da Alemanha estar em plena guerra, em dezembro de 1942 a Mauser fecha um contrato com Portugal de 4.000 pistolas em calibre 9mm, denominadas de Portuguese Contract M943. De setembro de 1939 até o final da produção das Lugers em junho de 1942, foram produzidas pela Mauser 316.898 armas para a Wehrmacht (Exército), 8.000 para a Kriegsmarine (Marinha)  e 88.000 para a Luftwaffe (Aeronáutica), num total de 412.898 pistolas.
Pistola P.08 de fabricação Mauser, código “byf” de 1942, uma das últimas Lugers produzidas por aquela marca. 
Afortunadamente para seus habitantes, Oberndorf não sofreu danos durante a guerra. Nenhuma bomba caiu e nenhuma granada explodiu ali para quebrar a tranquilidade e serenidade da Floresta Negra. Com o final da guerra eminente e inevitável, os funcionários da fábrica da Mauser assistiam agora, calmamente, a entrada do Exército Francês que tomou a cidade como as Forças de Ocupação. Em 1946, acredita-se que a Mauser ainda chegou a montar uma certa quantidade de pistolas P.08, utilizando-se principalmente de peças remanescentes nos estoques, e que foram enviadas e comercializadas na França. Isso também ocorreu em Suhl, com a Krieghoff, que caiu nas mãos dos americanos. Diversas pistolas foram produzidas e também levadas aos Estados Unidos,  provavelmente por pessoal militar.

ACESSÓRIOS DIVERSOS

Durante sua existência as pistolas Parabellum foram equipadas e fornecidas com uma infinidade de acessórios, compreendendo ferramentas para limpeza e desmontagem, carregadores especiais, coldres, coronhas e kits de conversão de calibres.
De cima para baixo e da esquerda para a direita, (1) modelo Naval, (2) pistolas com cano de 4″ 3/4, (3) Holandes, (4) Suéco, (5) Suíço, (6) para canos de 8″, (7) Militar alemão para P.08 e (8) American Eagle (testes de 1901)
Os coldres eram manufaturados em couro e geralmente apresentando muito boa qualidade de acabamento, nas cores preta e marrom. Alguns modelos eram dotados de tampas e corpo mais rígidos, dependendo de suas variações. Convém lembrar que os coldres, a exemplo do que ocorria também com as coronhas, nem sempre eram desenvolvidos pela D.W.M. e sim, pelos próprios países que importavam a pistola. Existem inúmeras versões de coldres desenvolvidos na Suíça, Holanda, Bulgária e Suécia, geralmente projetados para alguma unidade específica, seja ela militar ou policial.
Coldre “GNR” com bolsa avulsa para dois carregadores, chave de fenda / municiador, vareta de limpesa com compartimento para lubrificante e saca-pinos. 
As coronhas eram também de diversos tipos, acompanhando a arma ou sendo vendidas separadamente. Alguns modelos, construídos em uma só peça de madeira maciça, possuíam algumas aberturas feitas na madeira especialmente para permitir a montagem de alças de fixação dos coldres de couro.
Vemos acima as coronhas para pistola Borchardt, Luger Naval, Carabina e coronha para pistola com 8″ de cano.
Essas coronhas acima eram destinadas às pistolas modelo Artillery e lembram muito as usadas pelas pistolas Mauser C96, servindo para armazenar a arma em seu interior.
Um dos acessórios das Parabellum que sempre chama mais a atenção é o carregador de tambor, denominado de “snail-drum”. Apesar de terem sido originalmente concebidos para serem usados nos modelos Artillery, na verdade esse acessório poderia ser utilizado em qualquer modelo da pistola, uma vez que se encaixa no alojamento do carregador, que era o mesmo para todas elas. Tinha a capacidade para 32 cartuchos e um tanto demorado e complicado de ser carregado. O tambor não podia ser aberto, tal como ocorria com os utilizados pelas metralhadoras Thompson, o que agilizaria em muito o processo. Os cartuchos tinham que ser inseridos um a um. A primeira dúzia deles entrava com certa facilidade e sem uso de ferramentas mas, a  partir daí, era necessário usar a ferramenta auxiliar que acompanhava o conjunto. Os “snail-drums” só trabalhavam com cartuchos calibre 9mm.
Conjunto carregador para 32 cartuchos onde se vê adaptador, tampa de proteção e dispositivo com alavanca para auxiliar o processo de carregamento.
Mesmo durante os anos pré-guerra na Alemanha, alguns pequenos fabricantes independentes lançaram kits de conversão para calibres menores, geralmente em .22Lr ou 4mm, para uso nas pistolas Parabellum. Entretanto, nenhum deles teve tanto sucesso comercial como o kit lançado pela empresa Erma (Erfurt Machinen), a mesma empresa que fabricava as famosas sub-metralhadoras MP-38 e MP-40. Após a II Guerra, com a enorme penetração que as pistolas Luger tiveram nos USA, levadas aos montes como souvenir de guerra e também adquiridas em lotes e aos milhares, como sobras de guerra, por empresas que souberam aproveitar muito bem esse filão do mercado, o kit de conversão da Erma virou um “must” naquele país.
As versões mais antigas, destinadas a unidades militares com a finalidade de treinamento, eram alojadas em caixas de madeira como a que vemos na foto abaixo.
O conjunto em calibre .22, o mais popular, consistia em um carregador, um cano, uma manga rosqueada para fixação do cano e um conjunto de ferrolho. Desmontava-se a pistola, retirando-se o ferrolho e inseria-se o cano do kit pela parte posterior, por dentro do cano original, no caso sempre em calibre 9mm. Como esse cano era mais longo, a parte dianteira saía pela boca do cano e aí se atarrachava uma rosca de fixação. O próprio ferrolho possuía suas molas recuperadoras e, obviamente, embora lembrassem o sistema de ação de joelho original da arma, não atuavam como travamento de culatra, desnecessário devido ao calibre de baixa potência; neste caso, como não havia recuo de cano, o ferrolho se abria como numa pistola do tipo “blowback“.
Material promocional da década de 50, distribuído pela importadora americana Interarmco, de Washington, revendedora exclusiva dos kits de conversão da Erma nos USA. 

OS RE-LANÇAMENTOS MODERNOS

Pelo menos em duas ocasiões as pistolas Parabellum tiveram a chance de serem ressucitadas. Em meados da década de 70, a Mauser Waffenfabrik localizou um maquinário desativado, pertencente à Waffenfabrik Bern, Suíça, o  mesmo que foi destinado para a fabricação do modelo suíço de 1919, já comentado acima. Com esse equipamento em mãos, a Mauser, em comum acordo com uma importadora norte americana, a Interarms, sediada na Virgínia, resolve bancar a produção de um lote de pistolas que seriam postas à venda no mercado americano.
Entretanto, a empreitada teria feito muito mais sucesso se o modelo relançado não fosse baseado no modelo suíço de 1929, que como já descrito acima, diferenciava bastante das pistolas “tradicionais”. De qualquer maneira, a Mauser produziu essas pistolas até 1986 e todas foram vendidas. Embora o calibre original da 1929 fosse o 7,65mm, essa nova versão também foi oferecida em 9mm Parabellum, tentando com isso atingir um leque maior de consumidores.
A “nova” Luger 29/70, produzida pela Mauser e comercializada na forma deste kit, nos USA
Heinrich Krieghoff, como já comentado acima, até hoje um fabricante alemão de armas esportivas de excelente prestígio no mundo, produziu pistolas 13.850 pistolas P-08 durante 1934 a 1945, tentando suprir a grande demanda que a Mauser, sozinha, não conseguia fornecer. Em 2006, a empresa, com apoio de divulgação e vendas da Simpson Ltd, USA, decide produzir um lote de somente 20o peças, numeradas serialmente de 18001 a 18200, mas agora um modelo exatamente idêntico ao P-08, em calibre 9mm., denominadas de 2006 Limited Edition. Veja material promocional aqui: http://www.krieghoff.com/ki/pdf/Parabellum%20Flyer.pdf
O kit lançado pela Heinrich Krieghoff vendido nos USA, a preços que chegaram a US$ 18.000,00
Essa nova pistola foi fornecida com carregador niquelado com botão inferior em alumínio, ferramenta de desmontagem, manual, placas de empunhadura de baquelite, estampa do fabricante sobre o ferrolho e usinada totalmente de acordo com os métodos da época. Além disso, o kit era embalado em uma maleta feita de um bloco maciço de alumínio e usinado internamente para o encaixe das peças, maleta que é guardada em uma sacola com alças. Não há mais oferta dessas peças à venda, como novas. Todas as 200 peças já foram comercializadas anteriormente.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Desta forma termina, depois de mais de 40 anos, a jornada histórica dessa fabulosa arma. Nenhuma outra pistola semi-automática, até hoje fabricada carregou em suas costas tanta mística e tanta idolatria. Em todos os anos de sua existência, a Parabellum foi adotada e utilizada por dezenas de países, sendo que em alguns, como na Suíça, permaneceu mais tempo em serviço do que no seu próprio país de origem. Por mais críticas que possa ter recebido, algumas até justificadas, e por mais defeitos que possa ter (e qual arma não os possui?), a pistola Parabellum foi um dos projetos de maior sucesso comercial e militar no mundo. É uma das pistolas que possui a melhor pontaria instintiva já fabricada, pelo seu excelente balanço e ergonomia.
Ela teve a honra de ter sido a primeira arma no mundo a utilizar o cartucho 9mm (9X19), hoje padrão mundial nas maiores forças armadas do planeta e o cartucho de maior sucesso já projetado até hoje. Pouquíssimas armas curtas rivalizam com a Luger tamanha legião de aficionados, admiradores e colecionadores, alguns deles chegando ao ponto de dedicarem coleção exclusivamente à ela, reunindo o maior número possível de variações, que podem chegar a mais de 300, já catalogadas. Não há nenhuma coleção de armas curtas, ou mesmo coleções expostas em museus de todo o mundo, em que não haja pelo menos um exemplar dessa arma.
Nem mesmo o Brasil escapou de sua influência. Além de ter sido utilizada pelo nosso Exército em 1906, a Luger foi participante ativa dos conflitos envolvendo o cangaço nordestino. Consta que o famoso Lampião, e vários outros seus companheiros de bando, ostentavam suas Parabellum com muito orgulho.
Ao lado, nesta famosíssima e degradante foto, exibindo-se como troféus as cabeças decapitadas de Lampião e vários outros de seu bando, nota-se pelo menos tres exemplares de Parabellum, por ali espalhadas. Clique na foto, para maior ampliação de detalhes.
Como todo objeto mítico, fábulas e lendas também rodeiam a história dessa arma. Aqui, no site Lampião Aceso, meu prezado amigo Aurelino Fábio, brilhante historiador e estudioso de armas e do cangaço que é, nos descreve fatos interessantíssimos da convivência dos cangaceiros com suas armas, bem como do coronelismo que imperava no sertão nordestino durante os anos 20 e 30 do século passado.
APÊNDICE: COMO FUNCIONA O SISTEMA DE “AÇÃO DE JOELHO” (TOGGLE-JOINT)
O sistema de trancamento de ferrolho denominado de “toggle-joint”, algo como “articulação de joelho” em tradução literal, consiste em três segmentos unidos e articulados entre si por pinos, como se fossem dobradiças, e que na sua posição de repouso, ou seja, culatra totalmente fechada, os eixos desses tres pinos ficam perfeitamente alinhados, sem a possibilidade de se desarticularem a não ser que sofram alguma ação externa. Veja no esquema abaixo, as três peças que compõem o ferrolho se articulam por tres pinos, em vermelho, que nesta posição estão perfeitamente alinhados. Da forma como estão, se houver um disparo do cartucho, essa culatra não se abrirá, a não ser que ocorra um evento que provoque a desarticulação do ferrolho.
Um teste fácil pode ser feito para ilustrar o sistema na prática: estando a arma com a culatra fechada, obviamente sem cartucho na câmara; segurando a arma pelo seu cano, insere-se pela boca do cano, usando a outra mão, uma vareta rígida até que ela atinja a cabeça do ferrolho.  Pressiona-se então mais fortemente tentando empurrar e abrir o ferrolho. Ele não se abrirá, pois as articulações estão perfeitamente alinhadas. Essa pressão exercida pela vareta é análoga a um cartucho disparado, tentando empurrar o ferrolho para trás.

O sistema ação de joelho “toggle joint” da pistola Parabellum (Luger). Os pontos vermelhos indicam as três articulações do ferrolho, que ficam perfeitamente alinhadas quando a arma está fechada. Note a biela (em formato de S) e o “link” (em formato de um V) de ligação da última parte do ferrolho com a mola recuperadora, posicionada na empunhadura, atrás do carregador.
Na foto acima, o ferrolho de tres seções extraído da armação e com os pinos alinhados horizontalmente – a rodilha possui um pino interno, junção da segunda com a terceira seção – a biela pendente da última seção serve de ligação com a mola recuperadora. 
Aqui vemos o conjunto do ferrolho desarticulado, onde se percebe claramente as três seções.
Desenho esquemático com o ferrolho totalmente desarticulado e aberto
Culatra iniciando o movimento de abertura, logo após o recuo do cano e as rodilhas terem sido levantadas de sua posição quando pressionadas contra as rampas laterais da armação
Imaginando-se a arma carregada, com um cartucho na câmara e pronta para o disparo. A culatra está fechada e trancada, pois os três pinos de articulação estão alinhados horizontalmente. Ao se disparar o tiro e ao sair o projétil pela boca do cano, todo o conjunto composto de cano, prolongamento do cano e ferrolho, recuam alguns milímetros, solidários, por ação dessa força. Durante esse recuo inicial, o ferrolho permanece fechado com seus eixos alinhados.
Entretanto, devido ao movimento para trás, as duas rodilhas laterais do ferrolho, que possuem um pino de articulação em seu centro, são lançadas contra duas rampas existentes na armação, uma de cada lado (veja foto acima) que causa o seu levantamento. É neste instante que se quebra o alinhamento do ferrolho. A energia remanescente e já bem diminuída dos gases da queima do cartucho continuam a impulsionar o ferrolho até que ele se abra completamente, extraindo o cartucho da câmara.
Acima, desmontagem parcial do ferrolho com a retirada do percussor, mola e retém. Note a biela em forma de um S fixada à última parte do ferrolho, que serve de ligação com a mola recuperadora.
Assim que o ferrolho se abre totalmente, inicia-se o ciclo de recarregamento da arma, pois com a ação da mola recuperadora, que foi comprimida durante a abertura, ocorre uma força sobre a biela de ligação com o ferrolho e o mesmo retorna à sua posição inicial, inserindo novo cartucho na câmara e engatilhando o percussor.

DESMONTAGEM

As pistolas Parabellum foram desenvolvidas para que permitam sua desmontagem sem uso de ferramentas. Seus dois únicos parafusos são os que fixam as talas de madeira à empunhadura. O restante da arma é desmontado, pelo menos até uma determinada etapa, somente com as mãos.
Certifica-se primeiro que a arma se encontra desmuniciada. Retira-se o carregador pressionando-se o botão retém. Abre-se a culatra e examina-se se há algum cartucho alimentado na câmara; caso houvesse, o mesmo já foi devidamente ejetado. Empunhando-se a arma com a mão direita, apoia-se a boca do cano sobre uma superfície firme mas que não machuque a peça, como uma base de borracha dura.
Faz-se pressão da arma contra essa base até que o cano recue na sua posição máxima. Com a mão esquerda, gira-se 90º para baixo o retém do conjunto cano-ferrolho, situado logo à frente do gatilho. Retira-se assim a chapa quadrada que cobre o mecanismo do gatilho. Alivia-se a pressão sobre o cano e agora é possível puxar o conjunto cano-ferrolho para a frente, retirando-0 da armação. Ao puxar esse conjunto, atente para a pequena biela existente na parte posterior do ferrolho, peça que se conecta no balancim da mola recuperadora.
Se houver necessidade, o gatilho pode ser removido bastando puxá-lo para fora de seu alojamento, tomando cuidado de não perder a mola espiral existente ali. O último pino de articulação do ferrolho, na parte posterior, pode ser removido facilmente pressionado o mesmo do lado direito para o lado esquerdo. Retirando-se esse pino, o ferrolho completo pode ser retirado do prolongamento do cano, deslizando-o para trás.
O percussor pode ser facilmente retirado, usando uma chave de fenda pequena, pressionando-a contra a fenda existente no retém (parte posterior da cabeça do ferrolho) e girando esse retém em 90º. Segure um pouco a leve pressão da mola e retire o conjunto retém, mola e percussor.
As talas de madeira podem ser retiradas com a remoção dos dois parafusos laterais. A desmontagem após essa etapa raramente é necessária, uma vez que neste estado a pistola pode ser facilmente limpa e lubrificada.
Visão geral  uma desmontagem parcial de uma 1908 em calibre 9mm
Vista explodida de uma 1906 em calibre 7,65mm com trava de empunhadura – somente o conjunto da ação de joelho permaneceu montado, o que é aconselhável. 
Detalhe da tecla do gatilho e da alavanca retém de desmontagem – foi retirada a placa lateral que cobre o gatilho, que possui uma alavanca articulada internamente, que faz a união do gatilho com o pino da armadilha, visto claramente na foto. 

Vista explodida da pistola P.08

Escrito por Carlos F P Neto

fonte:http://armasonline.org

Pistola Parabellum (Luger) um mito histórico: Parte II


Em 1898, a D.W.M. fabrica alguns exemplares da pistola denominada de Borchardt-Luger Transition Pistol.Nesta arma, George Luger redesenhou o gatilho e conseguiu diminuir mais ainda a parte traseira da armação, eliminando a roldana (c3) citada acima. Para isso, desenvolveu um engenhoso sistema de rampa, localizada em ambos os lados da armação. Quando ocorre o recuo do cano, as rodilhas do ferrolho são impulsionadas para trás e obrigadas a deslizar rampa acima, ocasionando assim o desalinhamento dos eixos da ação de joelho e permitindo que a culatra se abra.
Acima, a Luger de transição 1898/99, em calibre 7,65mmx21; sabemos que menos de 10 peças dessas foram fabricadas, com cano de 5″ de comprimento. Note a rodilha do ferrolho com a lateral lisa e a rampa de deslizamento, logo atrás da mesma. Essa pistola, talvez a mais rara e desejada de todas as Parabellum, já trazia em sua aparência as principais características do modelo 1900, o primeiro a ser realmente produzido em série. 
Assim sendo, em 1899, Georg Luger apresenta seu primeiro protótipo que foi testado por uma comissão especial do Exército Alemão; consta que neste mesmo ano a D.W.M. também havia submetido alguns exemplares para exames de uma comissão do Exército Suíço. Na Alemanha, a arma recebeu críticas com referência à potência do cartucho empregado, um 7,65mm um pouco mais curto que o cartucho usado na Borchardt.  Essa diminuição de 4mm no comprimento do cartucho foi necessária para possibilitar o desenho de um carregador mais estreito, pois em seu projeto, Luger incluiu a lâmina da mola recuperadora na parte posterior da empunhadura. As diferenças balísticas entre esses dois cartuchos eram poucas e o poder de parada (“stopping-power“) não era muito alto em ambos, o que gerou essas críticas do pessoal do Exército, ainda mal acostumados com o grande calibre de seus antigos Reichsrevolver modelo 1879, que se  utilizavam de um cartucho de calibre 10,6mm.
Em 1900, a D.W.M. (Deutsche Waffen und Munitionsfabrik), inicia a produção em série da pistola, que foi batizada de Parabellum, nome que também era o endereço telegráfico da empresa. NA: Parabellum, palavra oriunda da frase em latim, “Si vis Pacem, Para Bellum”, de autoria do romano Publius Flavius Renatus, que significa “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”.
Aliás, quanto ao nome que se dá atualmente à arma, seja ele Luger ou Parabellum, cabe aqui uma explicação: oficialmente, o nome da pistola era Parabellum, batizada assim pelo fabricante D.W.M. Credita-se à Hans Tauscher, representante e primeiro importador oficial nos Estados Unidos o fato de ter usado o nome “Luger” pela primeira vez para essa arma. Após a I Guerra, a marca “Luger” foi patenteada pela A.F. Stoeger, outro importador da pistola.  Pelo menos até meados do século XX, na Europa, se fosse mencionado à alguém o nome Luger citando essa arma, provavelmente receberia de volta uma resposta de “nunca ouvi falar…”
A Parabellum 1900, portanto, possuía o sistema de culatra trancada, liberada por curto recuo do cano, usando um sistema de ação de joelho exatamente igual ao empregado por Borchardt na sua C93. Apesar de funcionar bem, ele é um pouco crítico quanto às cargas utilizadas nos projéteis e exige mais peças móveis e alguns pinos nas articulações, que com o tempo poderiam gerar algumas folgas e desgastes. Porém, a qualidade do material empregado nestas armas era tão boa que raramente se observa algum exemplar dessas armas apresentando desgastes nessas peças, mesmo os que foram exaustivamente utilizados.
No final desse artigo, conheça mais detalhes de como funciona o ferrolho por “ação de joelho” das pistolas Parabellum.
O MODELO 1900
Como já dito acima, as modificações que Georg Luger implementou em seu novo projeto foram muitas. Ao contrário do projeto original de Borchardt, a Parabellum era uma arma estéticamente mais bonita, mais elegante, bem balanceada, com um ângulo de empunhadura acentuado, sendo esta empunhadura considerada por muitos atiradores como a melhor e a mais ergonômica das oferecidas em todas as demais pistolas militares. Seu carregador tem capacidade para 8 cartuchos e fica posicionado no interior da empunhadura, podendo ser extraído facilmente mediante um botão retém localizado convenientemente perto do gatilho, acionado pelo polegar. O gatilho é uma bela peça, larga e confortável, posicionada numa das melhores distâncias em relação à parte posterior da arma que se conhece em armas militares.
Possuía uma trava de segurança na empunhadura e uma alavanca seletora lateral que na verdade serve para bloquear o movimento da trava da empunhadura, evitando que seja pressionada e destravando a arma. Existe um dispositivo “hold-open“, peça destinada a manter o ferrolho aberto quando o último cartucho do carregador for disparado e ejetado. O carregador vazio pode ser removido sem que o ferrolho se feche, possibilitando a inserção de um novo, devidamente municiado. Entretanto, após essa operação, o ferrolho não se fecha automaticamente; necessita de um pequeno golpe para traz para que isso aconteça.
Talvez os maiores problemas da Parabellum estão no mecanismo de disparo, parcialmente exposto do lado esquerdo da arma e que pode acumular muita sujeira e engripar, e o seu sistema de culatra de ação de joelho, denominado de “toggle-joint“, que aliás foi o motivo da não adoção da arma pela comissão dos testes norte-americanos de 1907.  Tanto o sistema de culatra como o de disparo exigiam tolerâncias mínimas de fabricação e ajustes perfeitos, o que fazia da arma uma das mais dispendiosas já fabricadas.
Pistola Parabellum modelo 1900, em calibre 7,65mm Parabellum, modelo que foi fornecido à Suíça sob contrato
Mas voltando à história, um ano depois do nascimento da arma, em 1901, a Suíça testou e aprovou a pistola para uso em seus exércitos e fechou um contrato de fornecimento de 3.000 delas em calibre 7,65mm Parabellum. Nesta mesma época os Estados Unidos adquiriram 1.000 pistolas, destinadas a testes de campo a serem executados pelo seu Exército. A Suíça se tornou portanto, nesta data, o primeiro país do mundo a adotar oficialmente uma pistola semi-automática como arma de porte regulamentar.
Em 1902, visando atender ao apelo dos militares alemães por um cartucho de calibre maior e mais potente, George Luger projeta um novo cartucho, agora em calibre 9mm.; tinha as mesmas dimensões traseiras do 7,65mm, possibilitando assim que as pistolas Parabellum se adaptassem a qualquer um deles mediante a simples troca do cano, sendo que o carregador era idêntico para ambos os calibres. A cápsula era levemente cônica (diâmetro frontal menor do que o do fundo do cartucho), solução muito empregada em pistolas semi-automáticas para diminuir travamentos do cartucho dentro da câmara no momento da extração. Esse novo cartucho, denominado de 9mm Parabellum (9×19), viria se tornar o cartucho de maior sucesso em uso no mundo, em pistolas semi-automáticas, adotado oficialmente pelos países da OTAN, tendo substituído inclusive, em 1985, o venerável cartucho .45 ACP, utilizado pelos Estados Unidos desde 1911. Com esse novo cartucho em produção, Georg Luger produz algumas pistolas neste calibre e as submete à comissão avaliadora do Exército Alemão, que passa a testar a nova arma em campos de provas bem como nas suas próprias tropas. No ano de 1904 a Marinha Alemã, depois de estar examinando e testando a pistola desde 1902, adota a Parabellum, porém solicitando um modelo com cano mais longo (6″) e com alça de mira graduada, e equipada com um engate para coronha na empunhadura.
Raríssima variação da Parabellum Navy modelo 1900 com alça de mira traseira e sem trava se empunhadura, com cano de 7″ e calibre 7,65mm Parabellum.
As principais variações sob contratos do modelo 1900 bem como suas quantidades produzidas são as seguintes:
1899-1900 Modelo de Aceitação do Exército Suíço para testes – 100
1900 Comercial – 5.500
1900 Suíça, adotada regularmente por aquele país – 5.000
1900 American Eagle, venda comercial e militar nos Estados Unidos – 12.000
1900 Búlgara – 1.000
1900 Carabina (comercial) com alça de mira regulável, no ferrolho- menos de 100
1902 Carabina (comercial) com alça de mira regulável sobre o cano – 2.500
1902 Comercial – 600
1902 American Eagle, comercial – 700
1902 American Eagle com contador de cartuchos – 50
1903 Comercial – 50
1904 Navy (Marinha) – 1500
 
 
American Eagle com Cartridge Counter (indicador da quantidade de cartuchos no carregador) – uma das mais raras Lugers existentes, somente 50 unidades fabricadas, possuía o brasão Norte Americano (American Eagle)  gravado sobre a câmara.

AS CARABINAS 1900

Em 1902 a D.W.M. lança uma versão muito interessante da Parabellum, em calibre 7,65mm e com cano de 11″ 3/4, com o intuito de ser utilizada como uma carabina. Acompanhava a arma uma coronha de madeira maciça, destacável por intermédio de um engate na parte frontal. A arma possuía uma alça de mira graduada, posicionada sobre o cano. A coronha era bem diferente do modelo que era utilizada nas pistolas, bem mais simples e feitas de uma peça de madeira maciça; ao contrário, a coronha das carabinas eram peças com acabamento muito mais refinado e lembravam um formato mais tradicional de coronhas para armas longas.
Na parte inferior do cano havia uma longarina de aço, fixada à parte frontal da armação, onde era montado um fuste de madeira com ornamentos zigrinados e dotado de uma trava de fixação. Algumas dessas carabinas eram vendidas em uma caixa de madeira onde se alojavam a pistola, a coronha, carregadores avulsos e compartimento para munições.
Testes executados pela própria D.W.M. indicaram que a carga de pólvora empregada no cartucho normal para a pistola não funcionava a contento nas carabinas, devido à grande diferença no comprimento do cano e à maior massa do conjunto. Para tanto, como a empresa era também a fabricante do cartucho, resolveu produzir lotes especialmente destinados às carabinas, com uma advertência na caixa para não serem usadas nas pistolas. O código dessa munição, que nas pistolas era 471 passou a ser 471A, para que mesmo um cartucho avulso pudesse ser corretamente identificado.
Lado direito da carabina modelo 1902 com sua coronha de madeira montada e bandoleira de couro
Carabina modelo 1902 em calibre 7,65mm Parabellum
Detalhe da carabina 1902, de sua alça de mira graduada e de seu fuste de madeira
Detalhe do encaixe da coronha na pistola, com sua trava de retenção.

O MODELO 1906

Em 1906, George Luger resolve executar várias alterações em seu projeto original de 1900, que foram as últimas mudanças físicas e mecânicas executadas nesta arma. Antes de prosseguirmos, é interessante abrir aqui um parêntese para explicarmos melhor quais as diferentes características existentes entre esses dois modelos, o de 1900 e o de 1906.
As pistolas Parabellum possuem somente dois MODELOS básicos, o de 1900 e o de 1906, denominados pela comunidade colecionista de “Old Model” e “New Model” respectivamente, e três TIPOS básicos, os chamados 1900, 1906 e 1908; entretanto, cada um desses MODELOS e TIPOS foram produzidos com diversas alternativas de comprimentos de cano, ora utilizando engate para coronha ou não, alguns deles com miras fixas ou com alças de mira reguláveis, tudo isso para suprir e atender os pedidos de contratos de seus clientes.
Em relação aos MODELOS, todas as pistolas Luger pertencem a um desses dois: 1900 “Old-Model” e 1906 (“New-Model”).
A seguir as principais características de mecanismo e de usinagem entre eles:
1) a mola recuperadora, que nas 1900 consiste de duas lâminas de aço paralelas, foram substituídas em 1906 por uma mola espiral, posicionada no mesmo lugar das lâminas, mais a adição de uma peça de conexão em formato de V.
2) a superfície de ambas as rodilhas (ou botões) laterais, que servem de apoio aos dedos para se armar o ferrolho, na 1900 são parcialmente chanfradas; na 1906, alteradas para uma superfície totalmente recartilhada.
Detalhe da trava lateral do ferrolho, montada na rodilha direita do ferrolho, existente só nos modelos Old Model
Além disso, no modelo 1900 a rodilha direita possui uma trava com uma pequena mola interior, que evita que o ferrolho se abra sem estar devidamente com o conjunto cano-ferrolho recuado (foto acima). Essa peça foi eliminada no modelo 1906, pois devido à troca da mola recuperadora citada acima, a mola espiral possui uma tensão maior, e só isso já é suficiente para um fechamento mais efetivo da culatra.
 
Diferença no acabamentos das “orelhas” do ferrolho, Old Model à esquerda e New Model à direita. Também notamos nesta foto a diferença da inclinação da lâmina-trava do sistema de gatilho. Nas pistolas “New Model” com trava de empunhadura a lâmina é inclinada para traz (///) como na 1900 e nos modelos sem a trava de empunhadura, a lâmina é inclinada para frente (\\\), como na foto acima. A posição da alavanca seletora é, portanto, invertida nessas duas opções. 
3) o gatilho, mais fino na 1900, teve sua largura aumentada na 1906. Com o guarda-mato, ocorre o inverso; ele é mais largo no modelo 1900 e mais estreito no modelo 1906.
4) a cabeça do ferrolho, que nas “Old Models” é rebaixado em relação ao topo da armação, foi redesenhado e passou a ficar mais alto, da mesma altura da armação.
  
Diferença na cabeça do ferrolho e do extrator da Old Model (esq.) e da New Model (dir.)
5) o extrator, antes construído de uma fina lâmina de aço, foi trocado por um novo, usinado em uma peça de aço maciço. A partir dessa modificação, quando há um cartucho na câmara, a parte superior do extrator se projeta para fora, servindo como um alerta tanto visual como através do tato, de que arma se encontra carregada. A face lateral esquerda do extrator, quando visível (com a presença de um cartucho na câmara), exibe a palavra em alemão “GELADEN”, que significa “carregada”. Nas pistolas dos contratos brasileiro e português, por exemplo, a gravação é a palavra “CARREGADA”. Nas Lugers American Eagle, a inscrição usada era “LOADED”.
Detalhe do engate para coronha na empunhadura.
Para completar as diferentes características das pistolas, além dos dois MODELOS descritos acima, todas as Lugers são classificadas em três TIPOS:
Tipo 1900 – qualquer Luger com trava de empunhadura e as características de mecanismo e de usinagem dos modelos “Old Model” (com raríssimas excessões todas as 1900 possuem trava de empunhadura).
Tipo 1906 – qualquer Luger com trava de empunhadura mas com as características de mecanismo e usinagem dos modelos “New Model”.
Tipo 1908 – qualquer Luger sem trava de empunhadura (somente com a trava lateral) e com características de mecanismo e usinagens dos modelos “New Model’.
Resumindo, uma determinada pistola pode ser identificada como sendo Modelo 1906 (“New-Model”) e pertencente ao Tipo 1908, por exemplo.
Dentre os vários contratos firmados pela D.W.M. a partir de 1906, destacam-se os de Portugal e do Brasil, países que também encomendaram essas armas para uso em seus exércitos, sendo que o Brasil fez uma aquisição de 5.000 pistolas em 1906, em calibre 7,65mm Parabellum, muitas delas ainda presentes no Brasil em coleções individuais e em bom estado de conservação.

A LUGER “BRAZILIAN” 1906 (CONTRATO BRASILEIRO)

Essa variação merece um capítulo mais detalhado, pois faz parte da nossa história. No ano de 1906 o Governo Brasileiro resolve fechar um contrato com a D.W.M. de fornecimento de 5.000 pistolas Parabellum, similares às que foram fornecidas ao Governo Português. Tratava-se de uma modelo 1906 (New-Model) e tipo 1906, ou seja, com trava de empunhadura mas sem engate para coronha, em calibre 7,65mm Parabellum e cano com 4″ 3/4 de comprimento. Essas pistolas tem a sua numeração serial iniciando em 0001 e terminando em 5000 (o que era de praxe na D.W.M. quando se tratava de contratos), numeração essa gravada na parte frontal da armação, debaixo do cano. Os dois últimos algarismos do número de série são estampados em diversas outras peças, donde se pode julgar se as armas tiveram suas peças substituídas ou não.
Luger 1906 do Contrato Brasileiro, com uma caixa de munição Geco, fabricação alemã (foto de coleção particular).
Do lado esquerdo do prolongamento do cano e bem próximo à esse, há a única marca de prova desta arma, um pequeno círculo com a letra “B” em seu interior, a mesma empregada pela D.W.M. em seus fuzís Mauser do Contrato Brasileiro de 1908. Sobre a câmara não há nenhuma gravação, seja ela de brasões ou de datas. O extrator possui a inscrição “CARREGADA” em seu lado esquerdo, visível quando da presença de um cartucho carregado.
   
Detalhes da indicação “CARREGADA” em português e do monograma intrelaçado da D.W.M. no topo do ferrolho.
A alavanca seletora da trava de segurança de empunhadura não tem indicações quanto à posição de estar a arma travada ou não. Quando na posição travada (alavanca para cima), uma pequena área debaixo da alavanca possui um acabamento polido. Como na maioria das Lugers 1906, a base do carregador é feita em madeira. Acredita-se que todas essas pistolas tenham vindo para o Brasil acompanhadas de seus coldres de couro e de duas ferramentas, uma pequena chave que também servia para facilitar municiar o carregador (um orifício desta chave encaixa-se num botão externo, existente no carregador) e uma vareta com ponta rosqueada e com um reservatório para lubrificante.
A Luger 1906 com seu ferrolho aberto e carregador municiado. Todas as Lugers, com excessões, possuem o carregador feito em chapa de aço estampada e sem acabamento. O pequeno botão recartilhado que se vê no trilho lateral  e que é preso ao levantador de cartuchos pode ser puxado para baixo, com o polegar, para facilitar o carregamento (foto de coleção particular).
Pistola Parabellum 1906 do Contrato Brasileiro e seu coldre original (foto de coleção particular).
Esse autor teve, ao longo de mais de quatro décadas, a oportunidade de examinar diversos exemplares deste contrato, onde se tornou patente a maior presença dessas armas com numeração mais alta, geralmente acima do número 4.000, motivo esse para o qual ainda não se tem explicação. Dentre todas essas peças avaliadas, grande parte já havia sofrido reformas, principalmente reoxidações feitas pelo método de banho quente, sendo que originalmente esse processo era feito pelo processo a frio (veja nosso artigo sobre reforma e conservação de armas de fogo). Algumas delas apresentavam um estado geral bem ruim em contraste com outras, totalmente originais, em estado denominado de “mint condition“, ou seja, tal como saída da fábrica.
Em seu artigo na publicação norte-americana Guns & Ammo, de 1971, o autor Ralph L. Shattuck, um dos maiores colecionadores de pistolas Luger do mundo, afirma que as pistolas do Contrato Brasileiro raramente são encontradas em bom estado, o que não é bem verdade por que, felizmente, o autor já teve a oportunidade de examinar várias delas em estado muito bom.
Na importante publicação de Charles Kenyon Jr. , Lugers at Random, edição de 1969, o autor informa em suas notas sobre essa variação que o maior número de série já encontrado nessas armas é o de 4.920. Entretanto, não deve ter chegado ao conhecimento do autor do livro mas eu tive a oportunidade de examinar até hoje, uma única arma que apresentava numeração superior à essa especificada na publicação.
A Luger do Contrato Brasileiro de 1906 no interior de seu coldre de couro – nota-se na parte interna do coldre o compartimento para se guardar a pequena chave e na parte externa frontal, bolsa que alojava a ferramenta de limpesa. (foto de coleção particular).
Fotografia onde se vê três ferramentas originais que acompanhavam a pistola – vareta rosqueada com um compartimento para graxa lubrificante, chave de fenda (que também era usada para facilitar a inserção de cartuchos no carregador) e um saca-pinos.
O autor Charles Kenyon também sugere, sem ter muita certeza do fato, de que tomou conhecimento de algumas pistolas desse contrato também existirem em calibre 9mm Parabellum com canos de 4″ de comprimento, as quais não se sabe terem sido fornecidas originalmente ou se foram transformadas posteriormente em arsenal, no Brasil.
A respeito do Contrato Brasileiro, há realmente algumas controvérsias e a mais intrigante delas é sobre a existência dessas peças em calibre 9mm. Em todas as publicações estrangeiras sobre Lugers, há um consenso geral de que o contrato era de 5.000 peças, só em calibre 7,65mm e com canos de 4″ 3/4. Porém, uma publicação nacional especializada em armas chegou a afirmar que esse contrato foi aumentado posteriormente em mais 500 armas, essas sim, fornecidas em calibre 9mm Parabellum. Essa hipótese não tem base nas publicações sobre Lugers existentes no exterior.
Apesar de que essa publicação exibiu, inclusive, fotos da arma em questão, particularmente eu nunca as observei e contesto a afirmação de que realmente pertenciam a um outro contrato. Como, nas pistolas Luger, a substituição do cano por outro é algo muito simples de se fazer, uma vez que eram rosqueados, e basta o uso de um cano de calibre 9mm montado numa arma originalmente em 7,65 para transformá-la no novo calibre, nada impediria que algumas das 5.000 Lugers do contrato brasileiro tenham tido seus canos trocados por outros em calibre 9mm, oriundos talvez de pistolas Luger P-08, utilizadas na II Guerra e trazidas em boa quantidade para cá; aliás, elas ainda são presentes por aqui, em grande número.
Outra afirmação supõe que as 500 armas em 9mm faziam parte do mesmo contrato. Também não vejo muito sentido porque o Brasil, em 1906, ano em que o calibre 9mm Parabellum ainda era um ilustre desconhecido e ainda nem utilizado oficialmente na Alemanha, iria adquirir 4.500 exemplares de uma pistola em calibre 7,65mm e só 500 deles viriam utilizando cartuchos de calibre diferente.
Se assim fosse, temos que concordar que se os seriais das 7,65mm iniciaram em 0001 e terminaram em 4.500, não deveria haver armas em calibre 7,65mm acima de 4.501, o que não é verdade, pois elas existem. Controvérsias à parte, o Exército Brasileiro acabou ficando com somente esse lote, muito pouco para suprir a maioria de suas unidades e provavelmente essas pistolas nem permaneceram muito tempo em serviço, tendo encontrado um ambiente mais propício à sua conservação nas mãos de alguns oficiais que as levaram para casa. Depois delas, a única pistola semi-automática adquirida por contrato pelo Exército foi a Colt 1911, no ano de 1937.

DEMAIS CONTRATOS

A partir de 1906, cresceu mais ainda a demanda pelas pistolas Parabellum pelo mundo. A fama da alta qualidade de fabricação e pelo fato de ser, na sua época, uma das mais avançadas pistolas militares, alavancou os contratos tanto dentro da Alemanha como no exterior. A Marinha Alemã, que já utilizava o modelo 1904 adotada  naquele ano, continuou fazendo aquisições em grande quantidade, agora do seu modelo denominado Navy 1906, uma arma com cano de 6″ e alça de mira regulável na parte posterior do ferrolho, trava de empunhadura e engate para coronha.
A Luger Navy 1906, em calibre 9mm Parabellum, cano de 6″ e alça de mira regulável, trava de empunhadura e engate para coronha – é considerada pelos aficionados como a mais elegante, equilibrada e bonita das Lugers. Note a inscrição “GESICHERT” (travada) gravada na armação, debaixo da alavanca de trava de segurança. 
Detalhe da alça de mira graduada de 0 a 100 metros das Lugers Navais 1906
Dentre os principais contratos a partir do modelo 1906, podemos destacar as mais importantes variações abaixo, comerciais ou militares, com as respectivas unidades produzidas:
1906 Comercial – 750
1906 American Eagle, venda comercial e militar nos Estados Unidos – 750
1906 Comercial com cano de 4″ – 4.000
1906 American Eagle em 9mm, com cano de 4″ – 3.000
1906 American Eagle em 7,65mm, com cano de 4″ 3/4 – 8.500
1906 Swiss Comercial – 1.000
1906 Comercial em 7,65mm, cano de 4″ 3/4 – 5.000
1906 Holandesa – 4.000
1906 Real Marinha Portuguesa – 7.000
1906 Brasileira em 7,65mm e cano de 4 “3/4 – 5.000
1906 Bulgária – 1.500
1906 Russa – 1.000
 

A LUGER EM CALIBRE .45

Em 1907, o Governo Norte-Americano passou a realizar testes com diversas armas curtas destinadas a se tornarem padrão no Exército daquele país, os chamados U.S. Trials de 1907, realizados em Springfield, Massachussets. O nosso artigo A Pistola Colt 1911 – Os testes de 1907 mostra, em detalhes, como transcorreu esses procedimentos que culminou com a adoção da pistola Colt 1911 como arma padrão do Exército dos USA. Para esses testes, George Luger em pessoa, preparou, supervisionou a produção e transportou para os USA dois exemplares (embora alguns autores afirmem que tenham sido produzidas seis delas) baseada no modelo 1906 mas para uso do calibre 11,43mm, exigido pelos técnicos dos testes como sendo o mínimo para poder participar da contenda.
A pistola Parabellum (Luger) Nº 2, da firma alemã DWM, enviada para os testes já adaptada para uso do cartucho .45ACP. Acredita-se que somente dois exemplares foram produzidos, o que transforma essa arma numa raridade sem preço definido. 
Infelizmente para a D.W.M. e para o ego de Georg Luger, a pistola quase chegou ao final da contenda, onde somente haviam duas armas como rivais: a própria vencedora Colt e a pistola também americana, Savage, e a Luger acabou sendo descartada a favor das concorrentes. A maior crítica dos examinadores recaíram sobre o sensível sistema de ferrolho por “ação de joelho”, considerado pelos técnicos como muito crítico, de fabricação dispendiosa e mais sujeito à emperrar em condições adversas, como lama e poeira.
Fred Datig afirma em seu livro “The Luger Pistol” que Luger deve ter deixado para trás, nos USA, o exemplar que foi mais utilizado nos testes, exemplar esse de número 1, que nunca mais foi localizado. A arma de número 2 foi levada por ele para a Alemanha e era pertencente (pelo menos até a década de 70) à coleção de Sidney Aberman, de Pittsburg, Pensilvânia.
O jornal Los Angeles Times de 15 de março de 2010 afirma que, em 1949, Sidney Aberman comprou a Nº 2 por US$ 150,00 de um amigo que havia pago este mesmo preço, cinco anos antes. Após a morte de Aberman, a arma foi adquirida por um negociante da Califórnia que vendeu-a a um bilionário da Indonésia, Yani Haryanto, por US$ 1.000.000,00. Em março de 2010 a empresa de leilões Greg Martin Auctions leiloou a arma em Anaheim, Califórnia, e foi arrematada por um “grande colecionador de armas” que se manteve anônimo, por US$ 430.000,00.
Cópia da pistola Parabellum (Luger) em calibre .45, fabricada “à mão” por Mike Krause, USA.
Como sempre pode ocorrer com peças e obras de arte de altíssimo valor, era inevitável que surgissem cópias desta arma, o que acabou realmente acontecendo nos USA na década de 80. Um fabricante de armas, Mike Krause, de San Mateo, Califórnia, chegou a produzir alguns exemplares aparentemente idênticos às originais ,hand-made, e comercializou-os a preços bem salgados, mas não escondendo o fato de não serem legítimas. Existe à venda nos USA uma possível “autêntica” carabina (!) Luger em calibre .45, oferecida pela exorbitante quantia de US$ 1.000.000, sobre a qual ainda recaem inúmeras acusações de ser falsa.

A DOTAÇÃO PELO EXÉRCITO ALEMÃO

Como prêmio de consolação pela eliminação nos Testes de 1907, o ano de 1908 jamais seria esquecido por George Luger nem pelas Forças Armadas Alemãs, uma vez que, finalmente, a pistola Parabellum foi adotada oficialmente como arma de uso individual padrão do Exército. A partir daí, sua nomenclatura oficial passou a ser P.08, ou “Pistole 08″, nomenclatura essa que designa o ano de dotação e não necessariamente o modelo da arma, que na verdade era o de 1906, mas do tipo 1908.
Pistola Luger (Parabellum)  ”New Model” do tipo 1908, adotada pelo Exército Alemão em 1908, em calibre 9mmX19 (9mm Parabellum) – repare a base do carregador em alumínio.
A P.08 era basicamente o modelo 1906 mas com cano de 4″ de comprimento, calibre 9mm (9X19mm), com 6 raias, alça de mira fixa, carregador com capacidade para 8 cartuchos, dispositivo “hold-open” para manter o ferrolho aberto após o último cartucho deflagrado, sem trava de segurança na empunhadura e com um encaixe na parte inferior posterior da empunhadura para a adaptação de uma coronha. Alguns anos depois, a arma teve seu batismo de fogo com a entrada da Alemanha na I Guerra Mundial, onde provou definitivamente ser uma ótima pistola.
Uma P-08 datada de 1914 – lado direito
Uma P-08 datada de 1914 – lado esquerdo
A Alemanha utilizou na I Guerra Mundial, basicamente dois tipos da pistola: a P-08 padrão e o modelo Naval 1906. Devido à grande demanda devido à guerra, a produção foi estendida também ao Arsenal de Erfurt e acredita-se que saíram das fábricas da D.W.M. e de Erfurt, cerca de 2.000.000 de pistolas, e algo em torno de 50 milhões de peças avulsas de reposição. Em 1914, outro modelo interessante teve sua entrada no teatro da guerra: o Artillery Model, conhecida como Luger da Artilharia, em calibre 9mm Parabellum. Esse modelo possuía cano de 8″ de comprimento, com uma alça de mira regulável até 800 m. posicionada sobre a parte posterior do cano.
Detalhe da alça de mira do modelo Artillery, este exemplar datado de 1917
Essa mira tinha uma característica interessante: além do movimento de elevação, que é normalmente utilizado para o ajuste das distâncias, ela possuía um pequeno desvio lateral que aumentava de grau à medida que o ajuste da elevação era incrementado. Esse desvio era proposital e destinado a fazer uma correção automática existente na trajetória do projétil, para a direita. Esse modelo foi produzido até o ano de 1918 em quantidade que atingem dezenas de milhares de peças. Trata-se de uma das variações mais cobiçadas e objeto de desejo dos colecionadores de Luger, apesar da “Artilharia” não ser uma variação particularmente rara. Muitas delas, obtidas de diversas formas nas batalhas nos campos da Itália, foram trazidas para o Brasil pelos pracinhas da F.E.B., apesar de que este era um procedimento proibido na ocasião.
Luger Artillery Model de 1918 com o coldre de couro, bolsa para carregadores adicionais e coronha de madeira.
O modelo Artillery quase sempre era acompanhado de diversos acessórios, principalmente da coronha de madeira com o coldre de couro. Um dos acessórios usados nessas armas que mais chama a atenção é o carregador denominado de “snail-drum“, que comportava 32 cartuchos em um alojamento circular, dispondo de um mecanismo movido à mola e que em muito lembra o utilizado nas metralhadoras Thompson, porém, em tamanho reduzido.
O conjunto acima acompanhava a maioria das pistolas modelo Artilharia: coronha de madeira, dois carregadores extras, ferramentas de limpeza e desmontagem, o carregador circular “snail-drum” (montado na arma) e dispositivo para facilitar o carregamento.
Uma pistola Luger modelo “Artillery”, datada de 1915 – note a base do carregador feita em alumínio, ao invés de madeira, opção comum nas Lugers produzidas no período da I Guerra

Escrito por Carlos F P Neto

fonte:http://armasonline.org

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